16 julho 2026

Minas arrecada 61,5 bilhões de reais em ICMS no primeiro semestre de 2026

Arrecadação superou a inflação acumulada no período.

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A arrecadação do Governo de Minas Gerais somou R$ 61,5 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 2,96% em relação ao mesmo período do ano passado. O principal responsável pelo desempenho foi o ICMS, que arrecadou R$ 42,7 bilhões no semestre, crescimento de 3,62%, mantendo-se como a principal fonte de receita do Estado.

Embora o resultado seja positivo, especialistas avaliam que o crescimento da arrecadação total ocorreu praticamente no mesmo ritmo da inflação. Na prática, o dado indica estabilidade das receitas em termos reais, enquanto o desempenho do ICMS é visto como um sinal mais consistente da atividade econômica mineira, por refletir diretamente a produção, o comércio e o consumo.

Na avaliação do economista e professor do UniBH, Fernando Sette Junior, o desempenho do imposto é o principal destaque do semestre. “O principal destaque do semestre foi o desempenho do ICMS, que superou levemente a inflação e apresentou pequeno ganho real. Como esse imposto representa cerca de 70% da arrecadação estadual e reflete diretamente o comportamento da produção, do comércio e do consumo, seu resultado indica que a atividade econômica mineira manteve-se resiliente no primeiro semestre”, afirma.

Além do ICMS, o IPVA arrecadou R$ 10,91 bilhões no semestre, alta de 4,85%. A receita tributária total chegou a R$ 56,04 bilhões, avanço de 3,72% na comparação com os seis primeiros meses de 2025. Em contrapartida, as receitas provenientes da dívida ativa recuaram 20,87% no período.

Apesar do saldo positivo no acumulado do ano, junho marcou a primeira queda mensal da arrecadação estadual em 2026. A receita total caiu 3,42% em relação ao mesmo mês de 2025, passando de R$ 9,75 bilhões para R$ 9,42 bilhões, mesmo com crescimento de 4% na arrecadação do ICMS.

Segundo Fernando Sette Junior, a retração foi provocada principalmente pela redução de receitas extraordinárias, como compensações previdenciárias entre o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), e não por uma piora da economia. “Junho foi o primeiro mês de 2026 em que a arrecadação total ficou abaixo da registrada no mesmo mês do ano anterior. Esse comportamento indica uma desaceleração do ritmo de crescimento da arrecadação, mas não significa, necessariamente, uma piora da atividade econômica”, explica.

Para o economista, será necessário acompanhar o comportamento da arrecadação no segundo semestre para verificar se a queda registrada em junho foi apenas uma oscilação pontual ou o início de um movimento mais consistente de desaceleração.

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