28 outubro 2026

Os maiores vencedores políticos de 2026 em Itabira: quem chega mais forte para 2028?

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Da votação expressiva de lideranças locais à mobilização dos grupos políticos, as eleições de 2026 redesenharam parte do cenário de Itabira. O desempenho nas urnas, as alianças e a capacidade de mobilização ajudam a identificar quem ganhou visibilidade e poderá ocupar espaço nas próximas eleições municipais.

Por SuperCidades

As eleições de 2026 terminaram, mas seus efeitos sobre a política de Itabira estão apenas começando a ser discutidos. Além da escolha de presidente, governador, senadores e deputados, a disputa funcionou como um teste de força para lideranças locais, grupos partidários e possíveis protagonistas da eleição municipal de 2028.

O SuperDados, plataforma de Inteligência Territorial, analisou dez nomes e grupos que se destacaram neste cenário. A seleção considera votação, participação nas campanhas, articulação política, capacidade de mobilização e possibilidade de ampliar influência no município. Trata-se de uma análise editorial, não de um ranking oficial de desempenho político.

Consideramos apenas nomes que disputaram pela primeira vez uma campanha, novos grupos políticos e quem se posicionou no segundo turno.

Os números que ajudam a explicar o cenário

Alguns resultados chamam a atenção pela dimensão da votação obtida em Itabira.

Candidato Votos em Itabira Disputa
Nikolas Ferreira (PL) com apoio do PL local 18.355 Deputado federal
Luiz Carlos de Ipoema (PODE) 8.362 Deputado estadual
Danilo Alvarenga (PRD) 5.545 Deputado estadual
Núbia Citty (REDE) 5.280 Deputada estadual

Fonte: resultados eleitorais compilados com base nos dados do TSE. 

Os números de Luiz Carlos, Danilo e Núbia são especialmente relevantes para a política municipal: os três ultrapassaram a marca de 5 mil votos na cidade. Isso não significa, automaticamente, que tenham transferido esse apoio para uma eleição municipal, mas mostra que possuem uma base eleitoral expressiva a ser considerada nas próximas articulações.

É importante observar também que votação local e eleição para o cargo são coisas diferentes. Luiz Carlos de Ipoema, por exemplo, foi o deputado estadual mais votado em Itabira, mas aparece na apuração consultada como suplente, e não como eleito. Nas eleições proporcionais, o resultado depende também do desempenho partidário e das regras de distribuição das vagas.

Nota: Nomes como Bernardo Mucida, Marco Antônio Gomes, Rose Félix, Júlio Contador não entram nessa análise. Em nossa consideração eles tiveram desempenho abaixo do esperado. Bem como não se posicionaram no segundo turno e não tiveram grande destaque em seus apoios a outros candidatos.

10. Pedro Fortunato e o espaço do PL

Pedro Fortunato, Comabem, aparece entre os nomes a observar na reorganização do campo conservador de Itabira. Presidente do PL, tem a possibilidade de assumir maior protagonismo no partido e na oposição municipal. Dependerá de sua capacidade de construir alianças, ampliar reconhecimento público e estabelecer uma agenda política própria.

A eleição de 2026 ofereceu visibilidade ao campo conservador, mas a disputa de 2028 terá características diferentes. Para transformar articulação política em competitividade eleitoral, será necessário consolidar uma base local e construir um projeto municipal.

9. Movimento Direita Minas: formação de novas lideranças

O Movimento Direita Minas representa uma frente de mobilização conservadora que pode contribuir para a formação de novos quadros políticos.

O desafio será converter a participação em campanhas e a mobilização nas redes sociais em presença permanente na cidade. A eleição municipal exige organização, conhecimento das demandas locais e candidaturas capazes de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado.

A possível ampliação da representação conservadora na Câmara em 2028 dependerá, entre outros fatores, do número e da qualidade das candidaturas, da organização partidária e da distribuição dos votos.

8. Didi do Caldo de Cana: a força da articulação eleitoral

Didi do Caldo de Cana, vereador e apoiador de Nikolas Ferreira(PL), está entre os nomes que podem capitalizar a aproximação com o eleitorado conservador.

Nikolas foi o candidato a deputado federal mais votado em Itabira, com 18.355 votos. Didi também outros nomes eleitos como Bruno Engler do PL e fez intensa campanha para Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Esse resultado demonstra a força local da candidatura de Nikolas, mas não permite atribuir automaticamente seus votos a Didi ou a qualquer outro apoiador. A questão para 2028 será saber quanto dessa mobilização poderá se traduzir em apoio próprio ao vereador.

7. Núbia Citty: estreia com mais de 5 mil votos

Núbia Citty recebeu 5.280 votos em Itabira na disputa para deputada estadual. No total estadual, somou 5.919 votos, de acordo com os resultados publicados.

A votação deu visibilidade à candidata e a colocou entre os nomes locais com desempenho eleitoral expressivo. Seu alinhamento com lideranças do grupo governista também pode ser relevante para futuras composições.

Uma eventual candidatura municipal em 2028 dependerá de decisões partidárias, alianças e da estratégia que ela e seu grupo adotarem.

6. Danilo Alvarenga: boa votação na primeira disputa

Danilo Alvarenga obteve 5.545 votos em Itabira e 6.554 em todo o estado na eleição para deputado estadual.

O resultado demonstra uma base eleitoral concentrada no município: aproximadamente 85% de sua votação estadual veio de Itabira. Esse dado pode indicar uma relação local relevante, embora não revele, sozinho, a composição ou a fidelidade futura desse eleitorado.

No segundo turno se posicionou a favor de Flávio Bolsonaro. Seu posicionamento político e suas alianças poderão influenciar os caminhos que escolherá para 2028, seja em uma disputa para vereador, seja em uma composição mais ampla para prefeito.

5. Luiz Carlos de Ipoema: o mais votado para deputado estadual em Itabira

Luiz Carlos de Ipoema recebeu 8.362 votos em Itabira e 9.561 no total estadual. Cerca de 87% de seus votos vieram do próprio município.

Foi o candidato a deputado estadual mais votado na cidade, um resultado que lhe confere visibilidade no cenário político local.

Luiz também apoiou Nely Aquino(PODE), eleita deputada federal, que obteve 1.354 votos no município itabirano. O seu desempenho eleitoral poderá colocá-lo em uma eventual candidatura à Prefeitura.

4. André Viana: a força sindical na política

O presidente do Sindicato Metabase, André Viana, que chegou a liderar pesquisas do DataMG para Deputado, participou da mobilização eleitoral de 2026. No primeiro turno, apoiou Reginaldo Lopes para deputado federal e Cristiano Silveira para deputado estadual, ambos do PT. No segundo turno, esteve entre as lideranças locais que apoiaram Lula.

Lula venceu em Itabira com 39.545 votos, equivalentes a 55,35% dos votos válidos, contra 31.906 votos de Flávio Bolsonaro, que obteve 44,65%. A diferença foi de 7.639 votos.

A atuação sindical oferece a André uma plataforma de diálogo com trabalhadores e setores da economia local. Foi defensor do fim da escala 6 por 1, assunto que lhe dá mais visibilidade política.

Para 2028, seu nome poderá entrar nas discussões do campo da esquerda, especialmente se conseguir ampliar sua articulação para além da base sindical.

3. Raquell Guimarães: votação expressiva para o Senado

Raquell Guimarães integrou como suplente a chapa de Áurea Carolina na disputa pelo Senado. Áurea recebeu 16.941 votos em Itabira, correspondentes a 15,31% dos votos válidos para o cargo.

Esse número é da votação de Áurea Carolina, não uma votação individual de Raquell. A distinção é importante para interpretar corretamente o resultado.

Contudo, Raquell participou da mobilização política da esquerda e da campanha de Lula no segundo turno. Sua atuação lhe dão legitimidade para ampliar seu espaço no debate municipal e estadual.

2. PT de Itabira: mobilização e reconstrução política

O PT de Itabira, que governou a cidade entre os anos de 1997 e 2000, voltou a ganhar visibilidade durante a campanha de 2026. O partido mobilizou lideranças experientes, novos quadros e militantes em atividades políticas pela cidade.

No segundo turno presidencial, Lula recebeu 39.545 votos em Itabira, alcançando 55,35% dos votos válidos. No primeiro turno, havia obtido 30.883 votos, equivalentes a 45,78%. A diferença entre as duas votações foi de 8.662 votos. 

Esse aumento não significa necessariamente que os mesmos eleitores mudaram de candidato: o primeiro turno teve mais opções, enquanto o segundo reuniu apenas dois concorrentes. Ainda assim, a comparação mostra a ampliação da votação de Lula na etapa final.

Para o PT local, o desafio será transformar a mobilização eleitoral em organização contínua, presença nos debates municipais e capacidade de construir uma alternativa competitiva para 2028.

1. Marco Antônio Lage: influência política e capacidade de articulação

Reeleito prefeito em 2024 com votação recorde, Marco Antônio Lage foi uma das principais lideranças locais envolvidas na campanha presidencial de 2026. Ele apoiou Lula nos dois turnos e participou da mobilização política em torno de candidaturas alinhadas ao seu campo.

Marco Antônio Lage também apoiou nomes como Núbia Citty(REDE) e Bella Gonçalves(PT), eleita Deputada Federal e Sávio Souza Cruz (REDE) primeiro suplente na chapa de André Janones(REDE) – cotado para ministro de Lula. Marco também participou da articulação política envolvendo sua esposa, Raquell Guimarães para suplente de senadora.

Sua posição institucional e capacidade de articulação o mantêm no centro do cenário político municipal. Para 2028, a questão será como seu grupo pretende organizar a sucessão; além de se preparar para uma eventual candidatura em 2030 para deputado.

O que os resultados indicam para 2028?

A eleição de 2026 oferece três sinais importantes para acompanhar em Itabira.

1. Votações para deputado não são garantia de sucesso municipal. Os resultados de Luiz Carlos, Danilo Alvarenga e Núbia Citty mostram bases eleitorais relevantes, mas a transferência desse apoio para uma disputa local não é automática.

2. A mobilização nacional influencia a política local. A votação de Nikolas Ferreira e o desempenho de Lula demonstram a presença de forças políticas nacionais no eleitorado itabirano. Isso pode afetar alianças, discursos e estratégias de campanha, sem determinar sozinho os resultados municipais.

3. A construção de alianças será decisiva. A disputa de 2028 dependerá da capacidade de reunir partidos, lideranças, grupos sociais e propostas locais. O desempenho de 2026 é um indicador importante, mas não substitui a análise de gestão, reputação, organização partidária e demandas da população.

Os maiores vencedores políticos de 2026 não são necessariamente aqueles que receberam mais votos em uma disputa específica. São também os que ampliaram sua visibilidade, fortaleceram suas relações e poderão transformar esse capital político em participação efetiva no futuro da cidade.


Nota editorial: os resultados eleitorais citados foram consultados em publicações que compilam dados do TSE. Avaliações sobre influência política e possíveis candidaturas para 2028 são análises, não fatos consumados. Os números devem ser conferidos com a base oficial antes da publicação final.

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