12 outubro 2026

O eleitor de Itabira nacionalizou o voto, e os candidatos locais não perceberam

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Em 2026, o voto dos principais candidatos da cidade caiu quase pela metade enquanto PL e PT dobraram. O eleitor passou a fazer uma pergunta antes de todas as outras: de que lado você está?

Durante a campanha de 2026, uma frase se repetia nas pesquisas do DataMG: “nenhum candidato de Itabira vai ganhar”. Ela estava certa. Mas os números do TSE mostram que o motivo vai além de falta de voto: o eleitor mudou o critério.

Como Itabira votava

Até pouco tempo, o voto local se apoiava em reconhecimento e rede de apoio. Em 2014, os principais candidatos da cidade somavam 67% dos votos válidos para deputado estadual e 49% para federal. O Nozinho, prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo que morou e trabalhou em Itabira, teve mais de 20 mil votos aqui. Em 2018, o Mucida teve 24.996, cerca de 43% de todo o voto estadual da cidade. Foi o primeiro suplente em uma coligação com o PT e herdou a vaga de Marília Campos(PT) que foi eleita prefeita de Contagem em 2024.

O critério era votar em quem eu conheço.

Bernardo Mucida foi candidato a Deputado Estadual em 2018 pelo PSB em coligação com o PT – foi o primeiro suplente da bancada

O que mudou em 2026

No estadual, o bloco da cidade foi de 60% para 31% entre 2022 e 2026. No federal, de 37% para 22%. O voto não desapareceu: PL e PT, juntos, foram de 23% para 50% do federal em Itabira, com o PL subindo de 17% para 33% e o PT de 5% para 17,5%.

Nikolas teve 18.355 votos, o dobro do local mais votado (9.061). A Ana Elisa (PT), que não fez campanha na cidade, teve 3.772, mais que o vice-prefeito Marco Gomes e o vereador Júlio Contador juntos.

Ana Elisa(PT) teve mais votos do que o vice-prefeito Marco Gomes e o vereador Júlio Contador. Nikolas Ferreira (PL) mais que o dobro do que Mucida (Avante)

A polarização chegou ao município

Os dois principais presidenciáveis somaram cerca de 90% do voto presidencial em Itabira em 2026, quando Lula (45,8%) e Flávio Bolsonaro (43,9%) ficaram separados por 1.295 votos.

A novidade é que o voto para deputado passou a seguir essa lógica. O Nikolas teve 29% dos votos válidos na cidade e 27,4% em Minas. Itabira votou como o estado e o país.

O ponto cego

A pauta dos candidatos locais foi regional: BR-381, saúde, mineração, representação em Brasília. O Mucida, o mais votado entre os da cidade, descreveu a polarização no lançamento de sua campanha como algo que não leva a lugar nenhum e não pediu voto para o presidenciável do próprio partido Augusto Cury (Avante) que teve 2.944 votos na cidade.

Nenhum candidato local pediu voto para presidente explicitamente. Luiz Carlos de Ipoema, o mais votado para estadual com 8.362 votos fez campanha para a deputada federal Nely Aquino(Podemos) e Marcelo Aro(PP) para Senador. O vereador não mencionou nenhum candidato a governador ou presidente em suas redes.

Visitamos todas as redes dos principais candidatos e não encontramos nenhuma menção a algum candidato a governador de Minas Gerais e presidente do Brasil.

Nenhum candidato de Itabira pediu votos para presidente ou governador em suas redes socias – veja a colinha de Mucida

O palanque virou o feed

Outro detalhe importante é o efeito redes sociais. Quem tem seguidor tem voto, mas tem de saber usar as redes. O candidato local mais votado para estadual (Luiz de Ipoema) é também o que tem mais seguidores no Instagram – 41,5 mil.

Enquanto isso Nikolas Ferreira tem 23 milhões e a Ana Elisa, 4,2 milhões. É uma correlação, não uma causa, mas combina com o perfil do eleitor que acompanha política pelo celular como entretenimento: o conteúdo que ele consome é nacional, e candidato local quase não aparece ali.

Conclusão

O eleitor continua querendo obra, saúde e representatividade. Mas, antes de tudo, quer saber de que lado o político está, se esquerda ou direita. Minha leitura é que a polarização está calcificada, como diria o Pesquisador Felipe Nunes, e veio para ficar.

Em 2030, quem pedir voto em Itabira vai precisar responder a essa pergunta antes das outras.

Nota metodológica: percentuais sobre votos válidos, fonte TSE. O bloco “da cidade” reúne os candidatos mais votados com base em Itabira. 

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