06 agosto 2026

Para onde vai o dinheiro que sumiu das lojas de Itabira/MG?

Gastos com bem-estar e saúde vem se tornando nova prioridade para os consumidores.

Share

Itabiranos gastam R$ 22 milhões por mês na internet — mas esse não é o único problema do Comércio de Itabira

As lojas fechando no centro de Itabira viraram assunto recorrente. Placa de “aluga-se” em ponto que antes tinha fila de espera pra alugar, comerciante fechando as portas, gente comentando que a cidade “está andando pra trás”. A explicação mais repetida é sempre a mesma: juros altos, aluguel abusivo, família endividada, governo. São fatores reais — mas contam só metade da história.

Várias lojas do centro de Itabira estão com placas de aluga-se – Foto O Folha Popular

A outra metade está nos números: os itabiranos movimentam cerca de R$ 22 milhões por mês em compras online, segundo levantamento da SuperDados. Isso não é dinheiro que sumiu da economia da cidade. É dinheiro que mudou de destino.

Hoje, 48% dos moradores de Itabira compram pela internet todo mês — cerca de 42 mil pessoas, gastando em média R$ 510 cada uma. Somando quem compra “de vez em quando”, esse número sobe para 81% da população. Não é um hábito de uma minoria. É como a cidade compra agora.

Segundo pesquisas do DataMG, 48% da população itabirana com mais de 16 anos compra mensalmente pela internet

Mas reduzir tudo a “internet roubou o cliente da loja física” também simplifica demais. O que está mudando é mais profundo do que o canal de compra — é para onde o dinheiro vai.

Três movimentos ajudam a explicar isso. As canetinhas emagrecedoras (Ozempic e similares) já derrubaram em 8% o consumo de alimentação, segundo dados que cruzamos de estudos internacionais — menos gente comendo por impulso, menos gasto em mercado e restaurante. Os jovens estão bebendo menos álcool e trocando o bar por atividade física. E o delivery virou rotina: 76% dos brasileiros pedem comida em casa pelo menos uma vez por mês.

O resultado prático: o consumo está migrando de produto para experiência. E isso já é visível em Itabira, não só em pesquisa nacional. A Corrida Kids da Speedy Fox bateu recorde de inscrições este ano — 300 crianças. É dinheiro de família itabirana, só que foi para inscrição, kit e viagem. Não para a loja da rua.

Corrida Kids – Speed Fox – 300 crianças inscritas na última edição em Itabira – Foto: Rádio Itabira

Junta tudo e o padrão fica claro:

Sai ida à loja, entra compra pelo celular.
Sai roupa nova, entra inscrição de corrida.
Sai happy hour no bar, entra torneio de beach tênis.
Sai restaurante, entra prato menor e delivery.

O itabirano não parou de gastar. Ele gastou diferente.

Isso muda a pergunta que o comerciante local devia estar fazendo. Não é “como reduzir meu aluguel” ou “como competir com o frete grátis” — essas são batalhas que o lojista de rua, sozinho, tem pouco controle sobre vencer. A pergunta que rende resultado é outra: para onde foi o dinheiro que antes era meu, e o que eu preciso virar para buscar ele de volta?

Quem entender essa mudança primeiro sai na frente. Quem continuar tratando isso como uma crise passageira de juros, vai continuar vendo a vitrine vazia e sem saber por quê.

>>> Caso já tenha interesse em imóveis, negócios ou projetos na cidade, converse com um especialista e entenda como se posicionar nesse novo ciclo.

>>> Se você se interessou em acompanhar oportunidades de investimento em Itabira ou outras cidades, assine nossa newsletter.

Leia mais

Destaques