12 julho 2026

PSD tenta destravar impasse entre Marcelo Aro e Carlos Viana por vaga no Senado

Partido tenta acomodar interesses sem precisar soltar a mão de ninguém.

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As articulações para a formação das chapas que disputarão as eleições de 2026 em Minas Gerais já provocam movimentos discretos, mas considerados decisivos, nos bastidores da política estadual. Um dos principais envolve o futuro do senador Carlos Viana (PSD-MG), que vem sendo alvo de uma ofensiva de lideranças do próprio partido para que desista da tentativa de reeleição ao Senado e dispute uma vaga na Câmara dos Deputados.

A movimentação parte de interlocutores próximos ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que avaliam que o atual cenário eleitoral oferece poucas perspectivas para uma nova eleição de Viana ao Senado. Além da dificuldade de viabilizar sua candidatura, dirigentes do partido entendem que sua permanência na disputa pode comprometer negociações consideradas estratégicas para ampliar o arco de alianças da chapa que deverá ser encabeçada pelo governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição.

Embora Kassab tenha sido um dos principais responsáveis pela filiação de Carlos Viana ao PSD e tenha defendido publicamente sua candidatura ao Senado, o momento político é diferente daquele vivido há quatro anos. Hoje, a prioridade do partido é construir uma composição capaz de reunir o maior número possível de aliados e evitar disputas internas que possam enfraquecer o projeto eleitoral do grupo governista.

Nos bastidores, uma das resistências de Viana em aceitar a mudança de rota estaria ligada ao futuro político de seu filho, o deputado federal Samuel Viana (União Brasil). A avaliação é que uma candidatura de ambos à Câmara poderia provocar uma disputa direta por votos dentro da mesma base eleitoral. Ainda assim, lideranças envolvidas nas conversas acreditam ser possível construir um acordo que preserve o espaço político dos dois parlamentares e fortaleça a representação da família no Congresso Nacional.

O principal obstáculo, porém, vai além da questão familiar. A presença de Carlos Viana na chapa ao Senado tem sido apontada como um fator que dificulta negociações com partidos considerados essenciais para a estratégia do PSD. O governador Mateus Simões trabalha para ter o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP) como um dos candidatos ao Senado, movimento que garantiria o apoio da federação União Brasil-PP, além de ampliar o tempo de propaganda eleitoral e a estrutura de campanha.

Marcelo Aro, entretanto, já deixou claro a aliados que não pretende dividir a chapa com Carlos Viana. A posição tornou o encaixe político ainda mais delicado e levou o PSD a intensificar as conversas para encontrar uma alternativa capaz de acomodar os diferentes interesses sem provocar rupturas.

Outro ponto observado pelos articuladores envolve as negociações com PL e Republicanos. O partido entende que a retirada de Viana da disputa ao Senado abriria espaço para retomar conversas em torno de uma composição mais ampla, que poderia incluir o deputado federal Domingos Sávio (PL) como candidato à Casa. Essa estratégia, no entanto, ainda depende da definição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre uma eventual candidatura ao Governo de Minas, decisão considerada determinante para o desenho final das alianças no campo da centro-direita.

Nos bastidores, a leitura predominante é que o PSD tenta reduzir o número de variáveis antes da definição oficial das chapas. Convencer Carlos Viana a disputar a Câmara dos Deputados passou a ser visto como uma das peças centrais desse quebra-cabeça, permitindo ao partido maior liberdade para negociar alianças e distribuir espaços entre os principais aliados. Apesar da pressão interna, o senador ainda não sinalizou publicamente qualquer mudança em seus planos e segue mantendo a intenção de disputar um novo mandato no Senado.

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