23 fevereiro 2026

Vale firma parceria de US$ 500 milhões para processamento de minério para a Índia

Rápida expansão do setor siderúrgico indiano demanda minério de ferro e outros minerais da cadeia do aço.

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A Vale firmou neste sábado (21) um memorando de entendimento (MoU) com a estatal indiana NMDC Limited e a Adani Gangavaram Port Limited para desenvolver uma unidade de blendagem e comercialização de finos de minério de ferro no Porto de Gangavaram, na Índia, em regime de zona econômica especial.

O acordo estabelece a cooperação entre as três empresas para estruturar uma plataforma conjunta de processamento e vendas de minério no país asiático. O investimento estimado no projeto é de cerca de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,6 bilhões).

Antecipamos essa movimentação no ano passado clique aqui.

Por se tratar de um MoU, o documento não tem caráter vinculante e formaliza apenas a intenção de parceria entre as partes. A vigência inicial é de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por igual período, fase em que serão definidos os detalhes técnicos e comerciais da iniciativa.

Pelos termos previstos, a Vale deverá fornecer minério de ferro de alto teor, enquanto a NMDC contribuirá com minério de baixo teor. A combinação permitirá produzir um blend com especificações adequadas ao mercado indiano, direcionado principalmente ao abastecimento de siderúrgicas locais.

Já a Adani Gangavaram Port Limited ficará responsável pela infraestrutura portuária e pela operação logística do complexo, incluindo área de mistura, descarga e carregamento, gestão de pátio, obtenção de licenças e execução do processo de blending conforme os parâmetros técnicos definidos pelas mineradoras.

A expectativa é que a iniciativa padronize a qualidade do produto destinado à Índia, reduza custos logísticos e adeque as características do minério às demandas das siderúrgicas do país, ampliando a presença comercial da Vale em um dos mercados de aço que mais crescem no mundo.

Demanda indiana por minério

Apesar do interesse recente em minerais críticos e terras raras nas relações bilaterais, a ampliação das exportações brasileiras de minério de ferro e cobre tem sido o foco imediato das negociações entre Brasil e Índia no setor mineral. Manganês, níquel e nióbio — também ligados à cadeia do aço — figuram entre os temas prioritários.

Em 2025, as vendas brasileiras de minério de ferro para a Índia saltaram de praticamente zero no ano anterior para cerca de US$ 440 milhões, recorde histórico. O valor supera, sozinho, todo o volume exportado ao mercado indiano entre 2017 e 2024. No mesmo ano, as exportações totais brasileiras de minério de ferro também atingiram marca inédita, ultrapassando pela primeira vez 400 milhões de toneladas embarcadas.

O avanço da demanda indiana está associado à rápida expansão da indústria siderúrgica do país, impulsionada por investimentos em infraestrutura, construção civil e atividade industrial. Políticas governamentais voltadas à urbanização, obras públicas e transição energética também têm elevado o consumo de aço e, consequentemente, a necessidade de minério de maior qualidade.

No mesmo sábado (21), o Ministério do Aço da Índia e o Ministério de Minas e Energia (MME) assinaram outro memorando de entendimento para ampliar a cooperação bilateral em mineração e no fornecimento de insumos essenciais à produção siderúrgica.

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