03 março 2026

Tribunal de Contas da União avalia provável bloqueio de recursos bilionários para as ferrovias de Minas

Órgão aguarda explicações da ANTT que retém cerca de 2,5 bilhões em conta do Tesouro Nacional. Uma pequena fatia desses recursos poderá ser utilizada para a realização de obras importantes em Itabira. Sequestro de recurso revela falta de representatividade de Itabira em Brasília.

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O Tribunal de Contas da União abriu diligências contra a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) após receber denúncias de retenção de recursos de mais R$ 2,5 bi que deveriam ser investidos em obras de infraestrutura ferroviária em Minas Gerais.

O valor faz parte de um montante pago pela MRS Logística (Malha Regional Sudeste) e pela Vale referente a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), que deveria ser reinvestido em projetos de logística e mobilidade nos estados de origem das ferrovias. Esse recurso é direcionado para a construção de pontes, passarelas e viadutos, reduzindo os impactos da via-férrea nas áreas urbanas e rurais como contrapartidas de renovação das concessões. Da mesma forma, pode-se utilizar essa verba para a implantação de outros projetos ferroviários.

De acordo com apuração realizada pelo portal ‘O Fator’, a denúncia encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU) questiona a destinação dos recursos pagos por concessionárias ferroviárias à União. Conforme consta na representação, os valores estariam sendo transferidos para a Conta Única do Tesouro Nacional, prática que poderia configurar desvio de finalidade e eventual prejuízo aos cofres públicos.

Apesar de o autor não ter sido formalmente identificado nos autos, os números que sustentam a denúncia foram extraídos de relatórios elaborados pela ONGtrem e pelo Grupo Fluminense de Preservação Ferroviária (GFPF). O denunciante sustenta que os recursos estariam sendo utilizados para reforçar o caixa do governo federal.

Indícios considerados relevantes

O caso tem como relator o ministro Antônio Anastasia, que optou por aprofundar a análise antes de emitir decisão conclusiva. O TCU rejeitou o pedido de medida cautelar para suspender novos repasses ao Tesouro, mas reconheceu a relevância dos indícios e determinou que os órgãos federais apresentem esclarecimentos detalhados sobre o cumprimento da legislação.

Falta de regulamentação

Em manifestação ao Tribunal, o Ministério dos Transportes admitiu a inexistência de normas operacionais que assegurem o repasse proporcional dos recursos aos estados. A pasta informou que a regulamentação depende de providências da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), incluídas em agenda regulatória que vem sendo adiada.

A agência declarou que os estudos técnicos ainda não começaram, mas devem ter início no primeiro semestre de 2026. Segundo resposta encaminhada ao TCU, não há, até o momento, metodologia definida para rateio, fluxo financeiro ou documentação necessária, uma vez que a etapa de estudos da Norma 3 ainda não foi iniciada.

Para o Tribunal, embora existam instrumentos orçamentários capazes de identificar as receitas das outorgas ferroviárias, a ausência de regulamentação prática compromete a execução da política pública prevista em lei, sobretudo no que diz respeito à transferência dos valores aos estados.

Diante disso, o TCU transformou o processo em monitoramento contínuo, determinando que a ANTT apresente relatórios semestrais sobre o andamento das medidas.

Recursos podem ser usados em Itabira

Em Itabira, onde são embarcadas milhares de toneladas de minério de ferro diariamente na Estrada de Ferro Vitória a Minas, a verba bloqueada poderia ser usada para destravar pelo menos dois projetos importantes de redução de impacto urbano causado pela via-férrea. A primeira proposta seria para ligar o bairro Juca Rosa aos bairros São Cristóvão e Colina da Praia, o segundo projeto é a retirada a linha existente que corta os bairros Major Lage, Areão, Alto Pereira e Vila Amélia sentido Mina Cauê.

A primeira imagem satélite abaixo de caráter ilustrativo, refere-se ao projeto de interligar a Rua Camélia no bairro Juca Rosa a Rua Cinco no bairro São Cristóvão através de uma passagem inferior a via-férrea:

A imagem a seguir, refere-se retirada da linha existente no traçado em vermelho que atravessa os bairros Major Lage, Areão, Alto Pereira e Vila Amélia sentido Mina Cauê e a possível construção de outra linha no traçado em verde aproveitando o antigo ramal da Mina Periquito, abrindo um túnel reencontrando o traçado atual ao lado da Estrada Cento e Cinco: 

Tais projetos se forem executados, poderão trazer inúmeros benefícios a população itabirana, como uma maior integração urbana, redução de deslocamentos e valorização imobiliária.

Análise 

Tal impasse na agência reguladora vinculada ao Ministério dos Transportes, revela a falta de pressão política dos edis mineiros na capital federal.

Outro ponto que precisa de atenção é a falta de representante de Itabira na Câmara Federal, além das atribuições no âmbito legislativo a função de um Deputado Federal também é intermediar a liberação de recursos direcionados para a realização de diversos tipos de projetos nas inúmeras pastas da administração federal uma vez que lá é que se concentra cerca de 70% de todos os recursos da União.

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