O Brasil apresentou, nesta quarta-feira (25), o primeiro caça supersônico produzido no país, o F-39E Gripen. A aeronave foi exibida em cerimônia realizada na unidade da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), com a presença de autoridades brasileiras e representantes da indústria de defesa.

O projeto é resultado da parceria entre a Embraer, a Saab e a Força Aérea Brasileira (FAB), e coloca o Brasil entre um grupo restrito de nações com capacidade de desenvolver e produzir aeronaves de combate de alta complexidade. Atualmente, menos de dez países no mundo dominam esse tipo de tecnologia de forma completa, o que torna o feito ainda mais relevante — especialmente por ser o primeiro desse tipo na América Latina.
A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, do comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, além da embaixadora da Suécia no Brasil, Karin Wallensteen, e executivos das empresas envolvidas.

Segundo o presidente da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, a produção do caça no país representa um avanço estratégico. “A apresentação do primeiro Gripen produzido no Brasil representa mais um marco relevante na colaboração entre Brasil e Suécia, com grande potencial para gerar novos negócios”, afirmou.
Já o CEO da Saab, Micael Johansson, destacou o papel da cooperação entre os países. “A entrega do primeiro Gripen produzido no Brasil simboliza a força de uma parceria construída com confiança e visão de longo prazo”, disse.

Produção e operação
A unidade da Embraer em Gavião Peixoto será responsável pela produção dos caças Gripen E, utilizando uma cadeia de fornecedores nacional e internacional. Parte das estruturas também é fabricada na planta da Saab em São Bernardo do Campo (SP).
Antes de ser entregue à FAB, o avião passará por testes em solo e voos de ensaio. Após essa etapa, será incorporado à frota do Primeiro Grupo de Defesa Aérea, na Base Aérea de Anápolis (GO), onde já operam outras dez unidades do modelo.
Considerado o mais avançado vetor de defesa aérea do país, o Gripen é projetado para missões como defesa do espaço aéreo, reconhecimento e ataque. A aeronave reúne sistemas modernos, sensores e recursos de integração de dados, permitindo atuação em cenários complexos e maior capacidade de resposta a ameaças.

Programa Gripen
O contrato firmado em 2014 prevê a aquisição de 36 aeronaves — sendo 28 modelos monoposto e 8 biposto. As entregas começaram em 2020, e o modelo já está em operação no sistema de alerta de defesa aérea, atuando na proteção do espaço aéreo da região do Distrito Federal.
Com a estrutura industrial instalada no país, a expectativa é que a produção do Gripen também atenda futuras demandas internacionais, ampliando a participação do Brasil no mercado global de defesa.


