19 fevereiro 2026

Prefeito de Itabira explica porque obra importante ainda não foi concluída

Asfaltamento poderá impulsionar desenvolvimento agropecuário e melhorar a integração do território. Jogo de influência impede conclusão de obra.

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No último dia 9 de fevereiro, foi publicada no portal “Vila de Utopia” uma entrevista concedida pelo prefeito de Itabira Marco Antônio Lage (PSB) ao jornalista Carlos Cruz. Um dos principais alvos de questionamentos ao mandatário foi o da não-conclusão das obras de pavimentação da estrada que liga os distritos de Ipoema a Senhora do Carmo em que ainda faltam concluir cerca de 3 (três) quilômetros, além de adequar duas pontes a nova largura da pistas de mão-dupla.

“Está faltando pavimentar quatro quilômetros, na verdade até menos, são 2,5 quilômetros se considerar que na chegada do Carmo já tem asfalto, mas devemos fazer uma intervenção nesse trecho para ter um só padrão. Isso em um total de 15 quilômetros. É uma obra para a vida toda. Ao longo da rodovia foram executadas obras de  arte, com quatro galerias para drenagem pluvial. São três pontes, duas ainda precisam ser duplicadas, na verdade construir outras duas anexas às já existentes.” Explicou o chefe do executivo falando sobre os outros dispositivos de drenagem que foram implementados ao longo do trecho já pavimentado.

Em seguida, Marco foi perguntado sobre como funcionou licenciamento ambiental da obra. No início do pavimentação, a Prefeitura de Itabira havia conseguido a Certidão de Dispensa de Licenciamento Ambiental junto a SEMAD – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, prevista para obras de pavimentação de rodovias de até 10 km de extensão, no entanto, de acordo com o prefeito todo o processo de licenciamento teve de ser refeito uma vez que a estrada excede o limite estipulado pela legislação estadual.

“Ainda não temos [a licença ambiental], porque aí entrou a política no meio, por intervenção de alguém do governo Zema, a Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) exigiu refazer todo o licenciamento, quando o certo seria licenciar somente o trecho que ficou faltando, já que o executado já está com licença aprovada. Optamos por licenciar nove quilômetros por ter trâmite simplificado, o que foi aceito pelo órgão ambiental estadual. Atendemos todas as condicionantes, pelo fato de a estrada passar próximo a uma unidade de conservação, cujo trecho foi calçado para diminuir a velocidade, assim como deixamos de alargar alguns trechos para não movimentar muita terra. Porém agora, ao ingressar com o pedido para licenciar os quatro quilômetros restantes, surgiu essa intervenção e querem que refaça todo o licenciamento. É um processo muito mais demorado, quando bastaria, a nosso ver, somente um licenciamento municipal para o trecho restante.” Explicou o líder itabirano falando sobre as ressalvas ambientais que foram respeitadas no âmbito da primeira autorização que era menos restritiva.

Sobre o que teria acontecido para pasta estadual exigir um novo processo de licenciamento, o mandatário alegou ter sofrido uma suposta sabotagem política por determinação do alto-escalão estadual. “Foi uma manobra política. Estamos agora com o processo na Semad, em Governador Valadares, quando será preciso refazer tudo de novo, novos relatórios de impacto, sendo que a maior parte já está executada e devidamente licenciada.” Lamentou a perda de boa parte do trabalho burocrático realizado anteriormente.

Sobre quem teria feito tal jogo de influência na esfera estadual, Marco Lage sem citar nome confessou que um vereador de Itabira com acesso facilitado ao governo Zema foi o autor da manobra político-administrativa. “Por intervenção de um vereador, que tem trânsito no governo Zema, vamos ter que refazer todo o licenciamento ambiental da rodovia Carmo-Ipoema, não só do trecho que faltava, prejudicando toda população da região”. Marretou sem falar o nome do vereador Luiz Carlos de Souza “Luiz de Ipoema” (MDB), seu único opositor declarado no legislativo itabirano.

Foto (WMatias): Luiz Carlos de Souza e Marcelo Aro (Secretário de Estado), na campanha de 2024

 

Ministério Público

Ainda de acordo com o prefeito de Itabira, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também foi notificado sobre a tramitação incorreta do processo de licenciamento mas que aceitou os argumentos apresentados em relação a conformidade legal da obra.

“Entrou [no processo após ser notificado de supostas irregularidades], mas aceitou nossos argumentos. Tanto que a promotora Giuliana Talamoni Fonoff ia propor que assinássemos um TAC, mas acabou aceitando o que apresentamos. Para isso, ela se reuniu com nossa equipe e viu que está tudo ok, ela não aceitou denúncia de um vereador dizendo que fizemos manobra para simplificar o licenciamento. O que esse vereador fez foi uma manobra política que vai atrasar ainda mais o término da pavimentação, com a decisão da Semad de refazer todo o processo, prejudicando a população que faz uso dessa rodovia. Nossa equipe se reuniu recentemente com a Semad de Valadares, apresentou todas as informações requeridas.” Afirmou Marco Antônio responsabilizando o vereador denunciante pelo atraso nas obras da rodovia que interliga os dois distritos e que fecharia o triangulo rodoviário itabirano, além de melhorar o acesso de veículos de Itambé do Mato Dentro que não precisaria passar por Itabira em direção a Belo Horizonte buscando um trajeto mais seguro, sem passar por estrada de terra.

Importância Econômica da Rodovia 

A pavimentação da rodovia que interliga os distritos de Senhora do Carmo, com cerca de 2.750 habitantes, e Ipoema, com aproximadamente 2.517 moradores, (ambos pertencentes a Itabira) ao município de Itambé do Mato Dentro, que possui cerca de 2.140 habitantes, representa um avanço estratégico para o fortalecimento econômico da região. A melhoria da infraestrutura viária impacta diretamente a agricultura e a pecuária, bases da economia local, ao reduzir custos logísticos e garantir mais segurança e agilidade no escoamento de produtos como leite, grãos e gado. Além de beneficiar produtores rurais e incentivar novos investimentos no campo, a pavimentação amplia o acesso a atrativos naturais e culturais, favorecendo o turismo e estimulando o comércio e os serviços. Com isso, a obra tende a promover maior integração regional, dinamizar a circulação de pessoas e mercadorias e contribuir para a geração de emprego, renda e qualidade de vida nas comunidades atendidas.

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