Inaugurado no Brasil em 2019, o setor de minimercados autônomos tem se expandido rapidamente e se consolidado como uma alternativa inovadora no varejo. Dados da Associação Paulista de Supermercados (Apas) mostram que os mercados instalados dentro de condomínios lideraram as aberturas do setor supermercadista em São Paulo, representando 53% das novas lojas em 2024.
Esse crescimento reflete dois movimentos. De um lado, consumidores buscam praticidade, autonomia e acesso 24 horas a produtos do dia a dia. Do outro, empreendedores veem no modelo uma forma mais simples de entrar no varejo, com baixo investimento inicial, operação enxuta e sem a necessidade de funcionários fixos ou grandes estruturas.
Segundo a InHouse Market, líder no segmento de mercados autônomos 24h no Brasil, a procura por novas unidades cresceu 166% em 2024. Atualmente, a empresa conta com mais de 1.800 unidades em operação, distribuídas em 310 cidades brasileiras. “O modelo conquistou espaço porque une conveniência e tecnologia. Ele resolve a dor do consumidor, que quer praticidade, e, ao mesmo tempo, oferece ao empreendedor uma operação de baixo risco, rápida de implementar e com retorno em menos de um ano”, explica o CEO e cofundador da InHouse Market, Leonardo de Ana.
Inicialmente concentrado em condomínios residenciais, o modelo passou a ocupar também empresas e academias, que hoje representam 10% das unidades da InHouse, o dobro em relação ao ano anterior. As lojas mais comuns atendem entre 120 e 160 unidades residenciais e estão instaladas, em geral, em condomínios com mais de 300 moradores.
Dados internos da empresa mostram que os maiores volumes de compra acontecem aos fins de semana, especialmente aos domingos e após as 18h. O setor de bebidas é o mais vendido nos minimercados. As férias escolares de meio e fim de ano também aumentam o consumo, concentrando os períodos de maior faturamento.
“A InHouse opera em todo o Brasil e nosso público empreendedor é majoritariamente do Sudeste, entre 35 e 45 anos, geralmente homens casados que buscam uma segunda fonte de renda ou mais flexibilidade na jornada de trabalho para passar mais tempo com a família”, comenta Leonardo de Ana. “A operação oferece essa liberdade porque é um negócio escalável, e você consegue escolher os dias e horários da reposição, e o restante é tudo gerido de forma on-line e remota”.
Entre as principais vantagens do modelo estão a renda extra, a flexibilidade de horários, o baixo investimento inicial e o retorno financeiro em menos de um ano. Além disso, a alta procura permite que o empreendedor mude o ponto ou venda a operação com relativa facilidade, caso decida encerrar ou redirecionar o negócio.
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados ao desconhecimento do conceito por parte de gestores de condomínios e empresas, que muitas vezes tratam o minimercado como um comércio tradicional.
“O minimercado autônomo não é um comércio comum. É um benefício para o espaço, um diferencial de comodidade sem custo adicional, pois pagamos toda a energia dos equipamentos, e a instalação e operação são nossas. Quando se tenta transformar esse benefício em fonte de aluguel ou cobrança extra abusiva, a conta não fecha para o operador, e o consumidor perde a conveniência”, alerta Leonardo de Ana.
Itabira
Em Itabira na região central de Minas, o nicho de minimercados autônomos pode ser explorado em primeiro momento no diversos condomínios fechados para reduzir a necessidade de grandes deslocamentos dos moradores para a compra de poucos produtos, principalmente os de uso ocasionais. Segundo informações, apenas o Condomínio Estância do Sol optou pela instalação desse modelo de negócio.
Outro ponto a ser observado em Itabira é que esse empreendimento pode ser boa opção de investimentos para a obtenção de renda extra para empresários de outros segmentos como também para funcionários da mineradora Vale que possuem capital de giro estimado em 100 mil reais para iniciar o negócio podendo ser mais ou menos de acordo com o porte do estabelecimento.
Bairros como Esplanada da Estação, Jardim dos Ipês, Belo Monte e Amazonas podem estar aptos a receberem os mercadinhos autônomos para atender a demanda dos moradores locais incluindo a população universitária concentrada nesta última localidade citada.

Uma experiência semelhante pode ser observada nas lavanderias self-service instaladas em alguns pontos estratégicos de Itabira como no bairro Amazonas e área central que tem se mostrado bem sucedida desde que começaram a ser instaladas há pouco mais de dois anos, servindo de parâmetro comparativo no processo de análise do investimento.
Neste contexto, ainda é preciso ressaltar algumas desvantagens na implementação deste empreendimento como um risco maior de furtos e depredações, desafios técnico operacionais e falta de interação humana bem como de assistência personalizada ao cliente.

