Principal produtor e exportador de café do país, Minas Gerais segue avançando na abertura de novos mercados para o grão de qualidade reconhecida mundialmente. Em janeiro, durante a World of Coffee 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, produtores mineiros responderam por cerca de US$ 185 milhões (aproximadamente R$ 962 milhões) em negócios — o equivalente a 74% de todo o volume negociado pela comitiva brasileira.
A missão ao Oriente Médio, intitulada “Brazil. The Coffee Nation”, foi organizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a ApexBrasil. Dos 24 empresários participantes, 19 eram de Minas Gerais. Ao todo, a ação comercial resultou em US$ 58,1 milhões em contratos fechados durante o evento e projeção de US$ 196,2 milhões adicionais para os 12 meses seguintes, totalizando US$ 254,4 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) — crescimento de 33% em relação à edição de 2025.
Embora os Emirados Árabes ocupem atualmente a 29ª posição entre os destinos do café mineiro, com US$ 48 milhões exportados em 2025, o desempenho alcançado em Dubai evidencia o potencial de expansão no mercado árabe, sobretudo no segmento de cafés especiais.
De acordo com o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, a região vem se firmando como estratégica para o setor. “Os Emirados são um dos mercados-alvo do nosso projeto. Intensificar a presença dos cafés especiais do Brasil na região é crucial, pois possibilita contato direto com compradores relevantes. Trabalhamos para entender a cena local, conhecendo dificuldades e aproveitando oportunidades para consolidar nosso setor como importante fornecedor”, afirmou.
Exportações crescem em receita
Mesmo com menor volume embarcado, Minas Gerais ampliou o faturamento com exportações de café em 2025, impulsionado pela valorização do produto no mercado internacional. O Estado exportou 27 milhões de sacas, ante 30 milhões em 2024, e atingiu US$ 11,4 bilhões (cerca de R$ 62,7 bilhões) em vendas para 96 países.
No ano anterior, a receita havia somado US$ 7,9 bilhões.
Principais destinos do café de Minas
2025
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Alemanha: US$ 1,8 bilhão
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Estados Unidos: US$ 1,6 bilhão
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Itália: US$ 992 milhões
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Outros 93 países
2024
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Estados Unidos: US$ 1,5 bilhão
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Alemanha: US$ 1,3 bilhão
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Bélgica: US$ 787 milhões
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Outros 83 países
Com a ampliação de mercados e a valorização do grão, Minas Gerais mantém a liderança nacional na produção e exportação de café, fortalecendo a presença internacional do produto e criando novas oportunidades comerciais para o setor.
São Gonçalo pula na frente
O município de São Gonçalo do Rio Abaixo na região central de minas sai na frente mais uma vez, nesta área bastante próspera do agronegócio, ao distribuir cerca de 6 (seis) mil mudas de café para a população em geral e para os pequenos agricultores, iniciativa que municípios como Itabira e Bom Jesus do Amparo com maior extensão territorial rural pode copiar incentivando os produtores locais.
Por ser um item que tem pesado bastante no valor da cesta básica (cerca de 60 reais o Kilo), a população em geral cultivará o “pretinho” para uso próprio reduzindo custo da alimentação diária. Em outro contexto, nos próximos anos poderão ser criadas em São Gonçalo associações e cooperativas para unificar a produção agrícola de café (agricultura familiar e pequenos plantadores) e beneficiar a produção agregando valor a partir da venda de café em diversos tipos de aromas e envases.
Brasil perde dinheiro exportando café in-natura
No mercado global do café, os maiores ganhos não ficam apenas com quem produz o grão, mas principalmente com os países que agregam valor por meio da torrefação, industrialização e reexportação. Nesse cenário, Alemanha, Itália e Estados Unidos concentram grande parte dos lucros ao transformar o café verde — muitas vezes importado do Brasil — em produtos processados e de maior preço no mercado internacional. Estimativas do setor indicam que o valor do café pode multiplicar várias vezes ao longo da cadeia, fazendo com que o Brasil, apesar de líder mundial na produção e exportação do grão in natura, deixe de capturar bilhões de dólares por ano ao exportar predominantemente matéria-prima, enquanto nações industrializadas ficam com a maior fatia da renda gerada pelo consumo global da bebida.


