01 janeiro 2026

Marcou 2025: Prefeito de Itabira faz discurso histórico diante de Lula

Olhando para o Presidente, Marco lembrou da descontinuidade dos investimentos em saúde nos governos passados e destacou a importância de Itabira para o cenário regional. Depois fez um regaste histórico da importância de Itabira para a industrialização do Brasil a partir da segunda guerra mundial.

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No último dia 11 de dezembro, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esteve em Itabira para inaugurar o serviço de radioterapia no Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD). Aproveitando a grande oportunidade, o Prefeito de Itabira Marco Antônio Lage (PSB), fez um grande discurso diante do líder da nação.

Marco iniciou a fala lembrando de outras passagens de Lula em Itabira, como na estruturação do diretório local do Partido dos Trabalhadores, nas campanhas do ex-prefeito Jackson Tavares (PT) e na mobilização contrária à privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). “O presidente esteve aqui em 1980 [primeira vez de Lula em Itabira], quando ajudou a criar o diretório do PT municipal. Em 1992, na campanha do companheiro Jackson Tavares, a prefeito de Itabira. E em 96, na luta contra a privatização da Vale. Já naquela época, o fantasma da exaustão mineral rondava o município. Hoje, prevista para 2041, 15 anos, um sopro. Um horizonte curto que nos impõe coragem, planejamento e união. E é nesse contexto que o presidente Lula retorna a Itabira, num dia que entra para a nossa história.” – Afirmou. 

Em seguida o mandatário itabirano agradece o chefe da República pela visita e fala sobre a importância do acelerador linear para a saúde das pessoas que precisam de um sopro de vida. Pela primeira vez, um presidente da república vem encontrar o povo em praça pública nesta cidade. Muito obrigado, presidente Lula, por continuar a percorrer este país imenso e por mostrar, com gestos concretos, que este governo olha para todos. Também para as cidades do interior deste Brasil profundo. Este também é um dia histórico, porque marca a vida de milhares de famílias. A partir de hoje, com esta inauguração, Itabira passa a oferecer algo que vai muito além de um equipamento de radioterapia. Oferece esperança, oferece cuidado, oferece humanidade, oferece vida.” Declarou o prefeito. 

“Eu sei, pessoalmente, o que isso significa, presidente. Há 20 anos acompanhei meu pai com câncer, com dor e sofrimento, em viagens longas e desgastantes até Belo Horizonte para buscar o tratamento contra o câncer. E a partir de hoje, outras milhares de famílias não precisarão mais enfrentar este caminho. Estamos inaugurando oficialmente um serviço de radioterapia moderno com um acelerador linear integrado à estrutura oncológica do Hospital Nossa Senhora das Dores.” Lembrou Marco de uma triste história familiar enfatizando a dificuldade de deslocamento vividas por pacientes que precisam se dirigir à capital mineira para receber o tratamento adequado. 

O chefe do executivo itabirano destacou a importância do investimento para a saúde da região e lembrou que o pontapé inicial foi dado pelo atual ministro da Saúde em 2011, no início do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. “O serviço 100% oferecido pelo SUS. É um marco para a saúde pública do Médio Piracicaba e do Médio Espinhaço. Um avanço concreto, robusto, que atenderá 27 municípios e cerca de meio milhão de pessoas. É o maior investimento da União na Saúde de Itabira em toda a nossa história. Isso permite que o tratamento seja feito aqui, perto da casa, perto da família, perto da rede de apoio, que sempre é mais feminina, quando a gente tem um doente em casa. E esses investimentos, é bom lembrar, D. Marco Aurélio, como do acelerador linear, deputado Reginaldo [Lopes], que vocês acompanharam muito de perto, foi dado a ordem de serviço pelo ministro Alexandre Padilha em 2011, quando o mesmo foi ministro da Presidente Dilma. De lá para cá, atravessamos um governo que suspendeu todos esses investimentos e graças ao presidente Lula, recuperamos um investimento perdido.” – Marretou ressaltando a descontinuidade do investimento nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.  

Legado da mineração, resgate histórico e diversificação econômica 

Após destacar e agradecer ao presidente Lula pelo investimento na saúde, Marco Antônio Lage mudou o rumo do discurso e mirou o tão conhecido mantra evocado pelo ex-presidente da República Arthur Bernardes e lembrou da falta de perenidade da mineração que já tem data marcada para terminar em Itabira (segundo relatório apresentado pela Vale ao mercado financeiro) a comparando com a agricultura.

“Nós estamos diante do maior desafio da nossa existência como cidade, que é reinventar a nossa matriz econômica antes que o minério acabe em 2041, anunciado pela Vale. Mas mesmo que haja alguma sobrevida, todos sabemos que o minério não dá duas safras, como dizia o ex-presidente Arthur Bernardes, e o destino de Itabira impacta toda a nossa região. Nós criamos em parceria com a Vale, e aqui tem funcionários da Vale, o Plano Itabira sustentável, que reúne mais de 60 projetos estruturantes, se plenamente executados, e que pode garantir um futuro sólido e sustentável para nossa gente. – Chamou a atenção dos presentes lembrando do Programa Itabira Sustentável. 

No mesmo caminho, o prefeito de Itabira fez um regaste histórico ao lembrar que o minério de Itabira foi fundamental para o Brasil garantir sua industrialização a partir da assinatura do Acordo de Washington e para suprir a indústria bélica americana durante a segunda guerra mundial, com minério de ferro de alta qualidade e que portanto país, por meio do governo federal deve começar a retribuir a cidade do poeta Carlos Drummond de Andrade pelo trabalho ao longo de quase 100 anos de exploração mineral ininterrupta, evitando que ela se torne um fracasso no pós-mineração. “Mas é preciso compromisso. Tenho dito ao ministro Alexandre Silveira e à própria Vale, Itabira pode ser mais um caso de fracasso no relacionamento entre mineração e comunidade, ou pode se tornar um exemplo nacional, de legado positivo, e convenhamos, faltam exemplos de legados na mineração no Brasil. Não é aceitável que a cidade, que é berço da mineração no país, que ajudou os aliados a ganharem a Segunda Guerra Mundial, fornecendo minério de alta qualidade para a indústria bélica a partir de 1942, quando o presidente Getúlio Vargas criou a empresa Vale do Rio Doce, que ajudou a industrializar Minas Gerais, São Paulo, ajudou a industrializar o Brasil, a Europa, o Japão, e acima de tudo, e agora a China. Foram mais de 2 bilhões de toneladas de hematita de altíssima qualidade extraída deste solo, e que essa cidade não pode ser condenada ao abandono quando o presidente for. O Estado e a União, que isentou de impostos de 42 a 68, portanto mais de 25 anos, isentou de imposto da mineração, então a Vale, Estado e a União têm uma dívida histórica com esse território, presidente. Ela começa a ser pagada agora no seu governo.” Concluiu Marco. 

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