21 fevereiro 2026

Investir em Carnaval é populismo ou estratégia econômica baseada em números?

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Muitos de nós, quando chega o Carnaval, passam longe da “confusão” gerada pela festa. Outros já estão esperando o Carnaval de 2027. Independentemente do gosto de cada um, uma coisa é certa: investir em eventos pode dar retorno para o município.

A Reforma Tributária aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 iniciou uma mudança estrutural no sistema brasileiro. A transição começa em 2026 e segue até 2033. O novo modelo, com IBS e CBS, desloca o foco da tributação da produção para o consumo.

Isso altera a lógica da arrecadação municipal.

Se a arrecadação depende mais do consumo final, cidades que atraem pessoas ampliam sua base econômica. Evento deixa de ser apenas entretenimento. Passa a ser instrumento fiscal. Ou seja, cidades que consomem mais em seu território receberão mais tributos — quem consome menos (mesmo que produza mais) receberá menos da fatia do bolo do “leão”.

Em Guarapari (ES), pesquisa da DataMG realizada em 2026 apontou gasto médio de R$ 363 por turista/dia na alta temporada. Multiplicado por 400 mil visitantes, segundo dados oficiais, são aproximadamente R$ 145 milhões circulando durante os dias de festa. O impacto é direto em hotelaria, alimentação, transporte e comércio. E, claro, nos cofres públicos.

O Espírito Santo já opera nessa estratégia, fortalecendo o calendário de verão e Carnaval para manter fluxo constante de consumo. O estado teme perder arrecadação, pois tem na indústria o carro-chefe de sua receita. Porém, como tem “apenas” cerca de 4 milhões de moradores, pode perder participação na divisão de impostos para estados mais populosos.

Em Minas Gerais, cidades industriais seguem caminho semelhante.

Itabira, João Monlevade, São Gonçalo do Rio Abaixo e Barão de Cocais ampliaram, nos últimos anos, investimentos em shows e festivais de grande porte, buscando atrair público regional e estimular a circulação de renda.

Estudos da economista ítalo-americana Mariana Mazzucato sobre economia criativa indicam que cada R$ 1 investido em cultura pode gerar retorno superior a R$ 7 na economia, considerando efeitos diretos e indiretos.

Some-se a isso o avanço acelerado da inteligência artificial e da automação ao longo da próxima década, além do debate sobre a possível redução da escala 6×1, com maior valorização do tempo livre.

Em um sistema tributário baseado no consumo, experiência vira ativo econômico. A discussão sobre eventos públicos deixa de ser apenas ideológica. Passa a ser estratégica.

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