05 junho 2026

Governo atrasa agenda ferroviária e empurra maioria dos leilões para 2027

Dos oito projetos previstos para 2026, nenhum cumpriu o cronograma original; concessões somam R$ 140 bilhões em investimentos previstos e enfrentam entraves técnicos e regulatórios.

Share

Carteira ferroviária estimada em R$ 140 bilhões em investimentos não cumpriu o cronograma previsto pelo governo; entraves técnicos, análise da ANTT e tramitação no TCU adiam concessões estratégicas.

Os planos do governo federal para conceder à iniciativa privada nove trechos ferroviários enfrentam atrasos significativos. Dos oito projetos que deveriam ter editais publicados e leilões realizados ao longo de 2026, a maior parte já foi reprogramada para 2027.

A carteira de projetos, coordenada pelo Ministério dos Transportes, prevê cerca de R$ 140 bilhões em investimentos, além de outros R$ 516 bilhões relacionados à operação das ferrovias. O cronograma original estabelecia a publicação dos editais e a realização dos respectivos leilões em um intervalo de três meses. No entanto, nenhuma das datas previstas foi cumprida.

Inicialmente, apenas a concessão da Malha Norte da Ferrovia Norte-Sul teria seu edital lançado em dezembro deste ano, com leilão previsto para março de 2027. Diante dos atrasos acumulados, porém, o governo precisou rever toda a programação.

Entre os motivos apontados para a postergação dos projetos estão a necessidade de ajustes nos estudos técnicos, a elaboração e análise das minutas dos editais pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a tramitação dos processos junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Questionado sobre o tema, o Ministério dos Transportes afirmou que “os cronogramas refletem a complexidade e o caráter inovador da nova política ferroviária nacional, que envolve instrumentos inéditos para ampliar a segurança jurídica, regulatória e financeira dos projetos”.

Antiga Malha Sul

A situação mais crítica envolve os três projetos derivados da antiga Malha Sul, que demandará ampla reconstrução da infraestrutura ferroviária. Os corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul tinham previsão de leilão em dezembro de 2026. Agora, o cenário mais otimista aponta para março de 2027.

Também sofreu alteração o cronograma da extensão norte da Ferrovia Norte-Sul, entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA). O projeto, que seria levado a leilão em março de 2027, foi adiado para outubro do mesmo ano.

Fico-Fiol e Ferrogrão

Dois dos principais empreendimentos da carteira ferroviária nacional também tiveram seus cronogramas revistos. O Corredor Oeste-Leste (Fico-Fiol) e a Ferrogrão passaram a ter previsão de leilão apenas em dezembro deste ano, ampliando as incertezas sobre o cumprimento dos novos prazos.

A Fico-Fiol, com 1.647 quilômetros de extensão entre Caetité (BA) e Água Boa (MT), estava prevista para ser ofertada na B3 em agosto. Já a Ferrogrão, projetada para conectar Itaituba (PA) a Sinop (MT) por meio de 933 quilômetros de trilhos, tinha leilão programado para setembro.

Projetos que ainda podem sair do papel em 2026

Apesar dos atrasos, três concessões ainda apresentam perspectivas de serem licitadas neste ano.

O Anel Ferroviário Sudeste (EF-118), que deveria ter sido leiloado em junho, teve a previsão transferida para setembro. O projeto prevê a construção de 245,95 quilômetros de ferrovia entre São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, e Santa Leopoldina, no Espírito Santo.

Já o Corredor Minas-Rio, inicialmente previsto para abril, continua sob análise do TCU. O leilão foi reprogramado para outubro, coincidindo com o período eleitoral em que os brasileiros irão escolher o próximo presidente da República.

Leia mais

Destaques