A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira (23) estimativa segundo a qual a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas pode gerar custo adicional entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano às empresas brasileiras. O impacto médio projetado equivale a cerca de 7% da folha de pagamentos.
O estudo considera dois cenários para compensar a diminuição das horas trabalhadas: pagamento de horas extras ou realização de novas contratações. Em ambos os casos, a entidade aponta que os efeitos tendem a ser mais intensos na indústria da construção e entre micro e pequenas empresas industriais.
De acordo com a CNI, 21 dos 32 setores industriais analisados registrariam aumento de custos acima da média do conjunto da indústria, independentemente da estratégia adotada para manter o atual nível de produção.
Entre os segmentos econômicos, os impactos estimados variam conforme a atividade: indústria de transformação, de 7,7% a 11,6%; construção, de 8,8% a 13,2%; comércio, entre 8,8% e 12,7%; e agropecuária, de 7,7% a 13,5%. A entidade calcula ainda que a medida elevaria em cerca de 10% o valor da hora regular de trabalho nos contratos de 40 horas. Caso não haja reposição das horas reduzidas, a avaliação é de que ocorreria retração da atividade econômica.
“Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A confederação também projeta que os maiores impactos recairiam sobre empresas de menor porte. Negócios com até nove empregados teriam aumento de custos entre R$ 4,5 bilhões e R$ 6,8 bilhões, o que representa elevação de 8,7% a 13% nas despesas com pessoal. Já nas companhias com mais de 250 trabalhadores, o acréscimo variaria de R$ 27,5 bilhões a R$ 41,4 bilhões — alta de 6,6% a 9,8%, conforme o cenário considerado.
Informações: Estadão Conteúdo


