27 maio 2026

Atlético aumenta receita mas gastos explodem, veja balanço!

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O Atlético Mineiro encerrou 2024 com sinais importantes de evolução financeira. Embalado pela primeira temporada completa da Arena MRV, pelas campanhas de destaque em campo e pelo fortalecimento comercial da SAF, o clube alcançou a maior receita de sua história e conseguiu, pela primeira vez em anos, registrar resultado operacional positivo.

Por outro lado, os números também revelam que o Atlético ainda enfrenta um obstáculo estrutural relevante: o elevado nível de endividamento, que permanece acima de R$ 1,3 bilhão.

Os dados fazem parte do relatório de gestão e das demonstrações financeiras auditadas da SAF atleticana.

Receita recorde impulsionada pela Arena MRV

O Atlético registrou receita bruta de R$ 674 milhões em 2024, crescimento de 46% em relação ao ano anterior e recorde histórico do clube.

Segundo o relatório, o avanço foi puxado principalmente pelas campanhas na Libertadores e Copa do Brasil, pelas receitas de matchday, pelo sócio-torcedor, pelos camarotes e cadeiras cativas, pelos naming rights e pelo crescimento comercial da Arena MRV.

A nova arena passou a ocupar papel central no modelo econômico da SAF.

Desde sua inauguração, o estádio acumulou R$ 108 milhões em receitas com jogos, média de R$ 2,6 milhões por partida, margem líquida média de 70% e público médio superior a 34 mil torcedores.

O relatório também aponta crescimento de 79% nas receitas de matchday em comparação com o período anterior à inauguração da Arena MRV.

Na prática, a Arena começa a cumprir o papel que clubes brasileiros e europeus enxergam em estádios próprios: geração de receitas recorrentes e menos dependência exclusiva de premiações e venda de atletas.

Custos do futebol seguem elevados

Se a arrecadação cresceu fortemente, as despesas acompanharam o movimento.

O Atlético destinou cerca de R$ 623 milhões ao departamento de futebol em 2024, incluindo salários, direitos de imagem, logística, categorias de base, futebol feminino e contratações de atletas.

A folha do futebol chegou a R$ 291 milhões, enquanto o investimento em compra de atletas atingiu R$ 218 milhões.

Os números mostram uma SAF que optou por manter alta competitividade esportiva, mesmo sob forte pressão financeira.

O reflexo esportivo apareceu em campo com o pentacampeonato mineiro, o vice da Libertadores e o vice da Copa do Brasil.

Resultado operacional melhora pela primeira vez

Mesmo com os altos custos, o Atlético conseguiu atingir um marco importante.

O clube fechou 2024 com resultado operacional positivo de R$ 2 milhões.

O dado representa mudança significativa em relação aos anos anteriores, quando o clube acumulava déficits operacionais recorrentes. Em 2020, o resultado operacional havia sido negativo em R$ 97 milhões. Em 2021, o déficit foi de R$ 1 milhão. Já em 2022 e 2023, os prejuízos operacionais chegaram a R$ 75 milhões e R$ 96 milhões, respectivamente.

A melhora operacional mostra que o crescimento das receitas começa a compensar parte do peso estrutural do futebol.

Dívida bilionária ainda é principal preocupação

Apesar da evolução, a sustentabilidade financeira do Atlético ainda esbarra no tamanho da dívida.

O relatório aponta endividamento líquido de R$ 1,369 bilhão ao final de 2024.

Além disso, o resultado financeiro permaneceu negativo em R$ 219 milhões, impactado principalmente por juros, financiamentos, dívidas ligadas à Arena MRV e obrigações financeiras da SAF.

Mesmo assim, houve melhora em um indicador considerado estratégico no mercado: a relação dívida líquida/receita caiu de 2,5 para 2,0.

Na prática, isso significa que a arrecadação cresceu em ritmo superior ao endividamento.

Arena MRV vira peça-chave da sustentabilidade

A análise financeira indica que o Atlético aposta fortemente na Arena MRV como motor de equilíbrio econômico nos próximos anos.

O estádio amplia receitas recorrentes, margem operacional, potencial comercial, exploração de eventos, receitas premium e consumo dentro do estádio.

Além disso, o clube ainda possui potencial de expansão em naming rights adicionais, shows e eventos, experiências VIP, turismo esportivo e receitas digitais.

Esse modelo se aproxima do que grandes SAFs e clubes europeus utilizam para reduzir dependência de premiações e negociações de atletas.

O que o cenário indica para o futuro?

O Atlético vive hoje uma espécie de “transição financeira controlada”.

O clube cresce em receitas, fortalece ativos estruturais, melhora a operação e mantém competitividade esportiva.

Por outro lado, ainda carrega dívida muito alta, possui forte pressão financeira, depende de geração contínua de caixa e precisa controlar os custos do futebol.

A sustentabilidade de longo prazo dependerá principalmente da capacidade de transformar a Arena MRV e o crescimento comercial em redução efetiva do passivo.

Sem isso, o clube continuará competitivo, mas financeiramente pressionado.

Com equilíbrio entre receitas, despesas e endividamento, o Atlético pode entrar em um novo ciclo de estabilidade financeira e consolidação definitiva entre as SAFs mais fortes do país.

Donos fazem aporte e alteram a composição acionária

O Conselho Deliberativo do Atlético aprovou, nesta segunda-feira, o aporte de R$ 530 milhões destinado à redução das dívidas bancárias do clube. A votação foi realizada presencialmente na Arena MRV e teve apenas um voto contrário entre os conselheiros presentes. Além do aporte, também foi aprovada a prestação de contas da Associação referente ao exercício do ano passado.

A operação provoca mudanças significativas na composição acionária da SAF atleticana. Com o aumento de capital, estimado em R$ 436,9 milhões, houve diluição das participações dos atuais sócios, incluindo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que está preso pela Polícia Federal e já havia sido afastado do conselho de administração do clube.

Com a nova configuração, Rubens e Rafael Menin ampliaram sua participação de 41,8% para 83,5% das ações da SAF. Já a Associação teve sua fatia reduzida de 25% para 10%. O bloco formado pelo Galo Forte FIP, ligado a Daniel Vorcaro, além de Ricardo Guimarães e FIGA, passou de 26,5% para 6,5%.

Parte do montante, cerca de R$ 94 milhões, foi injetada por meio do FIGA (Fundo de Investimentos do Galo), mecanismo criado para captar recursos de investidores qualificados interessados em participações minoritárias na SAF. O clube decidiu antecipar esse aporte, cujo prazo final para pagamento era novembro de 2026.

Segundo o CEO do Atlético, Pedro Daniel, aproximadamente 90% dos recursos serão utilizados para amortizar dívidas bancárias, enquanto o restante ajudará a equilibrar investimentos já realizados no futebol.

— É um dia muito importante. A maior parte desse aporte será destinada ao pagamento de dívidas bancárias. Uma pequena parcela vai cobrir investimentos feitos recentemente, principalmente dentro do ecossistema do futebol — afirmou.

O dirigente destacou ainda o peso dos juros sobre as finanças do clube. De acordo com ele, o Atlético desembolsou quase R$ 300 milhões em juros ao longo de 2025, valor considerado elevado diante de um faturamento anual na casa de R$ 700 milhões.

— Para uma empresa que arrecada cerca de R$ 700 milhões, pagar R$ 300 milhões em juros compromete muito a saúde financeira. Com esse aporte, a expectativa é reduzir essa despesa pela metade neste ano, chegando a algo em torno de R$ 150 milhões — explicou.

O endividamento bancário segue como um dos principais desafios financeiros da SAF atleticana. Atualmente, a dívida gira em torno de R$ 654 milhões. A estratégia da diretoria é priorizar a quitação de compromissos de curto prazo para melhorar o fluxo de caixa e garantir maior capacidade de investimento no futebol.

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