06 março 2026

Aeroporto de Confins testa uso de robôs autônomos 100% elétricos no pátio do terminal

Equipamentos utilizam inteligência artificial para transporte de cargas e limpeza de FOD, com foco em segurança e eficiência operacional

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O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte iniciou testes com robôs autônomos 100% elétricos em seu pátio operacional, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A iniciativa tem como objetivo avaliar, em condições reais de operação, os possíveis ganhos de eficiência, segurança e produtividade proporcionados pela tecnologia.

Nesta fase inicial, os experimentos se concentram em duas aplicações principais: o transporte interno de cargas e a limpeza de FOD — sigla em inglês para Foreign Object Debris, que se refere a objetos estranhos presentes nas áreas de movimentação de aeronaves. Esses materiais podem representar risco a pousos e decolagens, tornando a remoção rápida e precisa uma atividade essencial para a segurança operacional.

Casos desse tipo já provocaram acidentes graves na história da aviação. Um dos mais conhecidos ocorreu no Air France Flight 4590 crash, envolvendo um Aérospatiale-BAC Concorde. Durante a decolagem em Paris, a aeronave passou sobre uma peça metálica que havia se desprendido de outro avião na pista. O objeto perfurou um dos pneus, e fragmentos atingiram o tanque de combustível, provocando incêndio e perda de potência nos motores. O acidente reforçou a importância da inspeção constante das pistas e da retirada imediata de qualquer detrito.

De acordo com o gestor de Operações, Segurança e Experiência do Passageiro do aeroporto, Fabiano Reis, os veículos — apelidados internamente de “robôs burros” pela robustez e capacidade de carga — representam um avanço relevante para o setor aeroportuário. Segundo ele, a iniciativa está alinhada às melhores práticas internacionais, com foco em eficiência operacional, melhoria da experiência do usuário e sustentabilidade.

As plataformas móveis utilizam recursos de Inteligência Artificial para realizar navegação autônoma, reconhecimento de rotas e tomada de decisões em tempo real. Projetados para atuar de forma colaborativa com equipes humanas, os robôs podem seguir operadores, executar trajetos previamente programados e transportar cargas com alto nível de precisão. Nos testes realizados até o momento, os equipamentos movimentaram até duas toneladas em um percurso aproximado de 1,5 quilômetro dentro da área operacional.

A prova de conceito ocorre em parceria com a Tecnoloc, representante no Brasil da Burro, fabricante especializada em veículos autônomos colaborativos voltados a ambientes logísticos e industriais complexos. O modelo de testes permite avaliar fatores como segurança, viabilidade técnica e aplicabilidade no ambiente aeroportuário antes de uma possível adoção em larga escala.

Além do caráter inovador, a iniciativa também se conecta à agenda ambiental, social e de governança do aeroporto, especialmente pelo uso de veículos totalmente elétricos e pela busca de soluções capazes de ampliar a eficiência energética e otimizar o uso de recursos.

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