11 janeiro 2026

Acordo Mercosul-UE anima indústria mineira, mas exige cautela, avalia Fiemg

Federação vê potencial de ampliação de mercados para Minas Gerais, mas alerta para impactos setoriais e exigências ambientais

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A aprovação provisória do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) repercutiu de forma positiva entre representantes da indústria mineira, que veem potencial de ampliação de mercados, mas defendem cautela na implementação e atenção aos impactos setoriais em Minas Gerais. A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O acordo cria a maior área de livre comércio do mundo, com um mercado estimado em 722 milhões de consumidores, e prevê a eliminação de tarifas sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos.

Em Minas Gerais, a relação comercial com a União Europeia é considerada estratégica. Entre 2021 e 2025, as exportações mineiras para o bloco somaram cerca de US$ 31 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 13,38 bilhões, resultando em superávit de US$ 17,62 bilhões, segundo dados da Fiemg.

Para o analista de Negócios Internacionais da Fiemg, Felipe Ramon, o acordo tende a gerar efeitos distintos entre setores e até dentro de uma mesma cadeia produtiva. “É importante fazer um balanço com cada setor, até porque, em um mesmo setor, podem existir perspectivas divergentes”, afirma.

Segundo ele, cadeias produtivas integradas, como a automotiva, podem se beneficiar da redução tarifária, enquanto segmentos como calçados e vestuário podem enfrentar maior concorrência externa. “Quando você tem uma cadeia produtiva integrada, significa que uma empresa compra insumo da outra para transformar ou distribuir. Com a redução das tarifas, esses insumos ficam mais baratos, e isso melhora o custo de produção”, explica.

A Fiemg também chama a atenção para os desafios ambientais associados ao acordo. De acordo com Ramon, “a União Europeia tem colocado restrições às importações de produtos com alto nível de emissão. Isso exige investimento em sustentabilidade e em processos produtivos mais verdes para que as empresas consigam aproveitar o acordo”.

Em nota, a federação afirma que “o acordo entre a União Europeia e o Mercosul representa uma oportunidade relevante para Minas Gerais ampliar sua inserção em um mercado estratégico, com alto valor agregado”, mas ressalta a necessidade de acompanhamento dos impactos sobre a indústria.

Apesar das tensões políticas na Europa, a indústria mineira acompanha os próximos passos do tratado, que ainda depende de ratificação e da definição das regras de implementação.

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