20 maio 2026

Meteoric Resources vai beneficiar terras-raras em Minas

Projeto Caldeira já recebeu mais de 100 milhões de Dólares em Poços de Caldas no sul do estado.

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A Meteoric Resources decidiu avançar na cadeia produtiva de terras-raras no Brasil e pretende realizar em Minas Gerais a etapa de separação de óxidos, além da produção de carbonato misto no Sul do Estado. Minas também aparece como forte candidata para receber uma futura planta de refino da companhia australiana.

A estratégia foi detalhada pelo diretor-executivo da empresa, Marcelo de Carvalho, durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), promovido pela Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb), em Ouro Preto.

A companhia iniciou os estudos de viabilidade econômica e de cronograma para essa segunda fase do Projeto Caldeira. Embora ainda não haja definição final sobre os números, a estimativa preliminar aponta investimentos entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões. A expectativa é que o processo de licenciamento da unidade de refino seja iniciado logo após a entrada em operação da estrutura dedicada à produção de concentrado, prevista para o segundo semestre de 2028.

Neste momento, a Meteoric conduz testes metalúrgicos na Austrália para definir a tecnologia que será utilizada no Brasil para a separação dos óxidos dos 17 elementos de terras-raras. Os ensaios utilizam o carbonato misto produzido na planta-piloto inaugurada em dezembro de 2025, em Poços de Caldas. Parte do material também vem sendo enviada para separadores de óxidos com os quais a companhia possui contratos de fornecimento (offtakes).

“A decisão de fazer a separação de óxidos no Brasil reduz o nosso risco político e reduz o nosso risco de mercado, porque existem muito mais compradores de óxidos do que de carbonato. Além disso, adiciona muito valor ao produto que vendemos”, afirmou Carvalho.

A diferença de valor agregado entre os produtos ajuda a explicar a estratégia da companhia. Segundo o executivo, o carbonato misto é comercializado atualmente por cerca de US$ 40 por quilo, considerando a cesta de elementos. Já o óxido de neodímio/praseodímio (Nd-Pr), utilizado na produção de ímãs permanentes, gira em torno de US$ 130/kg. No caso dos óxidos de disprósio e térbio (Dy-Tb), classificados como terras-raras magnéticas pesadas, os preços ultrapassam US$ 1.000/kg.

Caso concretize o projeto, a Meteoric poderá se tornar a primeira empresa a realizar a separação de óxidos de terras-raras no Brasil. Atualmente, a Serra Verde, em Goiás — única operação comercial do setor no País — produz apenas carbonato misto. Já a Aclara Resources, que desenvolve um dos projetos mais avançados do segmento também em Goiás, com previsão de operação para a segunda metade de 2028, pretende realizar o refino nos Estados Unidos.

Carvalho explicou que a cadeia produtiva dos depósitos de argila iônica, caso da companhia, é composta por quatro etapas: produção de carbonato; separação de óxidos, fase em que há maior agregação de valor; metalização para produção de ligas; e fabricação de produtos finais, como ímãs permanentes. Todas essas etapas vêm sendo desenvolvidas em escala semi-industrial no projeto MagBras – da Mina ao Ímã, iniciativa voltada à criação de uma cadeia nacional de produção de ímãs permanentes de terras-raras.

“A nossa decisão de investir na separação de óxidos no Brasil também vai ao encontro da atual estratégia do governo federal de desenvolver a cadeia industrial de minerais críticos e estratégicos no País”, ressaltou o executivo.

Antes de avançar para o refino, porém, a prioridade da Meteoric segue sendo colocar em operação a planta comercial de carbonato misto em Caldas, no Sul de Minas. Após obter a licença prévia para a unidade industrial no fim do ano passado, a empresa protocolou, em março, o pedido de licença de instalação, atualmente em análise pelos órgãos ambientais. A expectativa é de que a autorização seja concedida em setembro, período em que também deve ocorrer a decisão final de investimento.

Segundo Carvalho, a empresa pretende iniciar a construção da planta ainda em 2026. As obras deverão durar entre 18 e 24 meses, com investimento estimado em aproximadamente US$ 450 milhões.

Até o momento, a Meteoric já investiu cerca de US$ 100 milhões ao longo de três anos no desenvolvimento do Projeto Caldeira, incluindo a implantação da planta-piloto em Poços de Caldas, que vem apresentando resultados considerados expressivos pela companhia.

“Estamos com recuperações de terras-raras magnéticas acima de 70% na planta-piloto. Isso é melhor do que qualquer outro projeto no mundo, de longe. Os da China, por exemplo, recuperam 50% e outros depósitos no Brasil, fora da Caldeira de Poços de Caldas, também”, destacou Carvalho.

Informações: Diário do Comércio

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