As obras de duplicação do trecho da BR-381 entre Belo Horizonte e Caeté, um dos mais críticos da rodovia, devem começar nos próximos dias. A expectativa é que o ministro dos Transportes, Renan Filho, venha a Minas Gerais na próxima semana para assinar a ordem de serviço que autoriza o início das intervenções.
Além do início das obras, o governo federal também articula a transferência da manutenção do trecho, atualmente sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, para a concessionária Nova 381, que já administra mais de 300 quilômetros da rodovia entre Sabará e Governador Valadares.
Uma reunião marcada para quinta-feira (26), na Agência Nacional de Transportes Terrestres, deve definir os próximos passos, incluindo a antecipação da assunção do trecho pela concessionária e a execução das primeiras melhorias previstas no contrato.
O segmento, que começa no Anel Rodoviário de Belo Horizonte e segue até Caeté, é considerado um dos pontos mais perigosos da chamada “rodovia da morte”. O projeto de duplicação enfrenta desafios, como a necessidade de desapropriação de cerca de 800 famílias, processo que será conduzido pelo governo federal.
As intervenções serão divididas em duas frentes: entre o Anel Rodoviário e o distrito de Ravena, em Sabará, e entre Ravena e o trevo de Caeté. Este último é apontado como um dos trechos mais críticos em termos de acidentes.
De acordo com o DNIT, as obras terão início pelo chamado lote 8A, que abrange o trecho entre Ravena e Caeté. O investimento previsto é de R$ 405,4 milhões, com conclusão estimada para abril de 2028. O projeto inclui a duplicação completa da via, além de serviços de terraplenagem, pavimentação, drenagem e sinalização.
Também estão previstas a construção de sete viadutos, seis passarelas e oito passagens inferiores, intervenções consideradas essenciais para melhorar a segurança e a fluidez do tráfego na região.
Enquanto a duplicação avança, a concessionária Nova 381 deve assumir a manutenção do trecho entre BH e Caeté, realizando ações emergenciais como recapeamento, reforço da sinalização e implantação de terceira faixa em pontos estratégicos.
Para o coordenador da Agenda de Convergência do Vale do Aço da Fiemg, Luciano Araújo, a mudança é necessária diante das condições atuais da rodovia. “Hoje, de Caeté a Governador Valadares, a concessionária já fez melhorias, mas no trecho entre Caeté e BH ainda há muitos buracos. Isso gera cobrança, principalmente pela existência de pedágio”, afirmou.
Segundo ele, as primeiras intervenções devem trazer alívio imediato. “A expectativa é de recapeamento, melhora da sinalização e início de uma terceira faixa. Mas é importante deixar claro o volume de recursos, porque há muitas desapropriações previstas”, disse.
O presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Vander Costa, também destacou a urgência do projeto. “O processo está bem adiantado e já existe verba para as desapropriações. A ideia é começar pela região do Anel Rodoviário. Precisamos acompanhar para evitar atrasos”, afirmou.
Na região da Vila da Luz, incluída no lote 8B, o reassentamento das famílias será conduzido pela Justiça Federal, com apoio do DNIT e das prefeituras. Caberá aos municípios indicar áreas para moradia e, se necessário, garantir aluguel temporário às famílias.
A duplicação do trecho entre Belo Horizonte e Caeté é considerada uma das obras mais aguardadas em Minas Gerais, por se tratar de um dos principais gargalos logísticos do estado e de um ponto crítico em termos de segurança viária.


