04 fevereiro 2026

Apenas 25% das empresas mineiras estão adequadas a atender as novas exigências tributárias

Quase 90% das empresas desconhecem o tributo sobre valores agregados.

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Apenas cerca de 25% das empresas mineiras estão preparadas para atender às novas exigências da reforma tributária, cuja fase de transição teve início em janeiro de 2026. O dado é de um estudo do Tax Group, uma das maiores consultorias tributárias do país, que revela baixo nível de adequação do setor produtivo do Estado ao novo modelo de arrecadação.

O levantamento ouviu 331 empresários e controladores de empresas e coloca Minas Gerais na sexta posição entre os 20 entes da Federação analisados. Para medir o grau de preparação, a pesquisa avaliou cinco pontos considerados críticos: sistemas de gestão e contabilidade, tabela de preços, revisão de contratos, processo de compras e fluxo de caixa — este último apontado como o principal desafio para as empresas mineiras.

“O estudo de fluxo de caixa tem demonstrado que o empresário mineiro ainda não está atento a esse ponto. Com o split payment, que prevê o desconto do imposto direto no pagamento, esse será o principal fator afetado pela reforma. Muita gente pode quebrar por não ter o fluxo de caixa organizado”, alerta o CEO do Tax Group e idealizador do estudo, Luis Wulff.

Segundo a pesquisa, quase 90% das empresas em Minas desconhecem como o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) impactará o capital de giro. Em um estado com forte perfil industrial e exportador, onde o crédito tributário tem peso relevante, esse cenário amplia o risco de dificuldades financeiras e até de mortalidade empresarial.

Atualmente, os tributos incidentes sobre as vendas são recolhidos no mês seguinte. Com o split payment, o valor devido ao Fisco será retido automaticamente no momento da transação, reduzindo a inadimplência, mas também eliminando a possibilidade de uso temporário desses recursos para cobrir despesas de curto prazo. Antes, as empresas tinham, em média, cerca de 55 dias para esse recolhimento.

Wulff alerta que a falta de planejamento pode gerar passivo tributário, parcelamentos, restrição ao reinvestimento e demissões. A recomendação é que os empresários iniciem o quanto antes estudos detalhados de fluxo de caixa, com simulações do novo regime tributário aplicadas à realidade financeira de cada negócio. “Se isso não for feito até junho, a partir de julho o empresário já começa a perder dinheiro com contratos e enfrenta riscos maiores no fluxo de caixa”, aconselha.

Desde 1º de janeiro de 2026, está em vigor a alíquota-teste do novo modelo do IVA Dual, com cobrança de 0,1% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e 0,9% da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A transição segue até 2027, quando a CBS substituirá integralmente o PIS/Cofins.

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